Instituição

A Escola

A MT Escola de Teatro é uma polo de formação da gestão do Cine Teatro Cuiabá, em parceria firmada com a Secretaria de Estado de Cultura.

O modelo artístico-pedagógico da MT Escola de Teatro valoriza a multiplicidade das interfaces entre os campos do fazer e do refletir cênico. O mesmo sistema desenvolvido pela Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap) desde 2009 e adotado na SP Escola de Teatro, em São Paulo.

Essa experiência formativa tem sido reconhecida nacional e internacionalmente como de excelência por diversas organizações.

Em Mato Grosso, os cursos são estruturados aproveitando-se dessa expertise, mas também reconhecendo e apreciando as necessidades locais, o contexto artístico do estado e os equipamentos culturais disponíveis.

 

Objetivos

Um dos lemas da Adaap na criação do seu modelo de ensino é propiciar uma organização sistêmica em que “todos respiram o mesmo ar”. Isso significa que todos os departamentos, cursos, formadores e estudantes devem compartilhar os princípios e processos educacionais adotados. O sentimento de pertencimento amplia o potencial criativo dos envolvidos e garante a autonomia intelectual tão renegada pelas instituições de perfil conservador que insistem em modelos educacionais anacrônicos.

A educação integrada conduz as ações da Escola, ancorada num hibridismo alentador de conceitos de alguns dos principais intérpretes contemporâneos da formação do pensamento e da cultura, dentre eles:

Autonomia

A pedagogia da autonomia proposta pelo educador brasileiro Paulo Freire, segundo o qual “quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender”, em sincronia com a visão dialética de suas propostas educativas.

Territorialidade

A noção de território e de espacialização desenvolvida pelo geógrafo brasileiro Milton Santos, que entende o lugar, seja público ou privado, como o “espaço do acontecer solidário”.

Visão sistêmica

A visão sistêmica do processo cognitivo, uma interpretação emprestada do físico e ambientalista austríaco Fritjof Capra, cuja abordagem absorve o todo sem abortar as particularidades que a oxigenam. A inspiração vem do conceito de que sustentabilidade é uma rede de relações flexível para se adaptar a condições mutáveis onde a transformação é contínua e que se apresenta em cinco características básicas: interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade e diversidade.

 


 

Sistema pedagógico

Na MT Escola de Teatro, o papel social das Artes Cênicas é ponderado em módulos que valorizam a emancipação criadora, o pensamento crítico e a confluência absoluta de talentos e poéticas, desviando-se da relação hierárquica as quais costumam estar presas as bases educacionais.

Os principais pressupostos do projeto pedagógico da Escola são:

Ensino não hierárquico: a SP Escola de Teatro baseia-se em um modelo de ensino que rompe com o regime de subordinação das pedagogias tradicionais. O conhecimento avança de acordo com trabalhos práticos e reflexivos, levando em consideração o ritmo de aprendizes e formadores.

Ensino não cumulativo: a Escola dilui completamente o parâmetro de que o aprendiz no quarto semestre é mais avançado do que aquele no estágio inicial. Compartimentar o conhecimento artístico é uma contradição improdutiva, pois ele deve ser trabalhado com um mecanismo de expansão, desdobramento natural do fazer artístico, e não de acumulação.

Ensino modular: um módulo corresponde à unidade de conteúdos e práticas daquele semestre. O aprendiz da SP Escola de Teatro frequenta quatro módulos independentes num dos cursos regulares oferecidos, cada um com a duração de um semestre e identificado por uma cor: verde, amarelo, azul e vermelho.

A estrutura orgânica do projeto educacional da instituição atende a um pensamento holístico de mediação com as artes do palco. O funcionamento pedagógico é assentado nos seguintes elementos:

Transcende a estrutura convencional do conteúdo sistematizado por semestre. Compreende um período de ensino e aprendizagem no qual coexistem um Eixo, um Operador e um Material a serem investigados e/ou estudados durante o desenvolvimento de um projeto cênico, permitindo a interação e o trabalho conjunto.

Define as linhas de pensamento que atravessam ideias, linguagens e estéticas a serem investigadas pelos participantes do processo de criação teatral. Este ora tangencia as fontes históricas, ora persegue a ruptura potencializada no ato de criar no mundo de hoje. O Eixo deve estruturar e conduzir os processos de estudo e criação cênica.

A cada Módulo, de acordo com o Eixo e o Material previstos, são definidos os pensadores que nos permitirão estabelecer discussões entre os formadores e estudantes e aquilo que os rodeia, propiciando um olhar sobre o mundo. Trata-se da possibilidade de olhar para a vida com base em uma pessoa que se torna o disparador/provocador dos conteúdos que serão levados à cena. Num diálogo contínuo com o Eixo e o Material, essa pessoa nos permitirá pensar a criação cênica dentro das imbricações entre a Forma e o Conteúdo.

A cada proposição teatral e de acordo com o Eixo e o Operador, são definidos os materiais de trabalho que têm como objetivo encaminhar as investigações cênicas. Esses materiais funcionam como um tema que coloca os aprendizes em diálogo e atrito criativo com as suas poéticas ou fatos que tenham repercussão com o seu universo. Desse modo, pode ser um texto selecionado ou escrito pelos aprendizes; um fato histórico que tenha marcado a cidade, e que permita iniciar uma investigação envolvendo determinadas experimentações cênicas; e ainda materiais imagéticos de fotógrafos do século 20, que registraram relações éticas e morais no mundo, por exemplo.

Todos os direitos reservados - 2018